O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), participou de uma agenda estratégica para implementação do Projeto “Municípios Inovadores – Fogo, Produção e Floresta, com Inclusão Social e Boa Governança”.
O objetivo central do projeto é estruturar um plano integrado de gestão do fogo no estado, com foco no município de Feijó, articulando ações nos eixos de prevenção a incêndios, produção sustentável, conservação florestal e inclusão social. A proposta busca consolidar uma governança coordenada da paisagem, especialmente em áreas sob forte pressão de desmatamento ilegal.
Na capital acreana, a agenda foi aberta com uma reunião de nivelamento que reuniu representantes do poder público estadual, federal e parceiros técnicos e organizações internacionais, marcando o início do planejamento conjunto.

Participaram do encontro, representando a secretaria de Meio Ambiente (Sema), o coordenador do Grupo de Comando e Controle Ambiental, Quelyson Souza; a chefe de Regulação do IMC, Fabiana Costa; a técnica do Departamento de Monitoramento do IMC, Vanessa Rosas. Representando o Earth Innovation Institute (EII): Frank Merry, líder de gestão, Produção e florestas; Warley Rodrigues, líder de Gestão integrada de Incêndios; Elsa Mendoza, coordenadora Regional do EII no Acre; Josiane Mendes, da gerência de projetos da Aliança da Terra e Luiz Junior da Silva Martins, Brigadista da Aliança da Terra.
O encontro teve como foco alinhar estratégias e consolidar a atuação integrada entre as instituições, com ênfase na construção de soluções voltadas à realidade de Feijó, município que concentra um dos maiores índices de pressão por desmatamento no estado.
A programação seguiu com missão técnica ao município, onde as equipes se reuniram com o vice-prefeito, representantes das secretarias municipais, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e lideranças do Sindicato Rural. O diálogo com os atores locais foi essencial para compreender as dinâmicas territoriais e fortalecer a construção participativa das ações.

Já em Rio Branco, os trabalhos avançaram com reuniões técnicas envolvendo equipes da Sema, do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma/Ucgeo), do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA). As discussões abordaram monitoramento territorial, regularização ambiental, licenciamento e ações de comando e controle — pilares fundamentais para a efetividade do projeto.

A agenda foi concluída com reunião com a equipe do Prevfogo, reforçando a articulação com as estratégias nacionais de prevenção e combate aos incêndios. Na ocasião, o IMC também apresentou o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa) e o Programa ISA Carbono, destacando sua conexão com os objetivos do projeto.

Com duração prevista de três anos, a iniciativa será executada em etapas. Em 2026, estão previstos diagnósticos participativos, definição de áreas prioritárias, capacitações e pactuação com os atores locais. Em 2027, serão elaborados planos municipais integrados, com formação de brigadas e implantação de Unidades Demonstrativas Integradas. Já em 2028, o foco será o monitoramento, a avaliação dos resultados e a sistematização das experiências, incluindo a realização de workshops e um seminário nacional.
Entre os resultados esperados estão a redução de incêndios e queimadas ilegais, a recuperação de áreas degradadas e a reativação de serviços ambientais. No campo produtivo, o projeto busca inserir áreas degradadas na economia por meio de práticas sustentáveis, ampliando o acesso a mercados verdes. No âmbito institucional, a proposta visa fortalecer a governança local e ampliar a capacidade de resposta dos órgãos públicos.
A iniciativa também prevê metas estruturantes, como a elaboração de três planos integrados de gestão do fogo — incluindo experiências no Brasil e no Peru — e o desenvolvimento de modelos replicáveis de uso da terra, capazes de subsidiar políticas públicas em diferentes escalas. Outro eixo central é a construção de uma governança articulada entre diferentes níveis institucionais, promovendo a integração entre políticas, financiamento e atuação em campo.

Após essa etapa de nivelamento, o Acre precisa avançar com o projeto, mas depende de avanços como o engajamento contínuo dos parceiros, bem como apoio institucional, definição de pontos focais, compartilhamento de dados territoriais e participação ativa nas atividades previstas. A proposta reforça a importância de uma atuação integrada para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, consolidando um modelo que alia proteção ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social. Após as agendas no Acre, a equipe técnica da Aliança da Terra e do EII, cumpriram ainda uma série de reuniões com gestores dos Departamentos de Ucayalli e Pucallpa, no Peru.