Acre celebra o Dia Mundial da Floresta com 87% de área conservada, produtiva e habitada

Autor: Maria Meirelles

Foto: Arquivo SECOM/AC

Localizado na região Norte do país, o Acre tem ganhado destaques nacional e internacional por defender e implementar uma economia pautada na valorização do seu ativo ambiental. Nesta terça-feira, 21, o estado celebra o Dia Mundial da Floresta com 87% de seu território preservado, gerando emprego e renda para as populações tradicionais.

Ao mesmo tempo em que avança nas ações de combate ao desmatamento ilegal, que em 2017 caiu 34%, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e 66% nos últimos 12 anos, o Estado tem diversificado o setor produtivo, apostando na ocupação sustentável dos 13% de áreas abertas e uso racional dos recursos naturais, ao impulsionar o extrativismo, a comercialização de produtos madeireiros e não madeireiros.

Essa fórmula econômica, que agrega sustentabilidade, justiça social e criatividade, se reflete na melhoria da qualidade de vida dos acreanos, que pode ser medida a partir dos índices de desenvolvimento: o Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, cresceu 400% em, aproximadamente, 20 anos.

Além disso, o governo também executa políticas públicas de infraestrutura, garantindo saneamento básico (pavimentação de ruas, rede de esgoto e água tratada) à população – R$ 100 milhões foram investidos, na gestão de Tião Viana, nos municípios de difícil acesso: Jordão, Santa Rosa, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

 

“Cada povo tem sua identidade nos seus produtos, mas precisa incorporar a qualidade e expectativa de ganho para quem vai plantar. Assim a gente consegue vencer. Nosso resultado é a redução do desmatamento, melhora da qualidade de vida e economia, industrialização de produtos sustentável e de proteínas de baixo carbono, além do avanço na organização das comunidades

Governador Tião Viana
sobre as bases da política de desenvolvimento sustentável

 

Por compreender a importância da floresta para a vida no planeta e militar na defesa de uma economia sustentável, o governo assumiu o compromisso público de zerar seu desmatamento ilegal até 2020. O Acre concentra 22 Unidades de Conservação (UCs) e 36 Terras Indígenas reconhecidas – 47,9% do território protegido por lei.

Economia descarbonizada

Ao apostar em uma economia descarbonizada e implementar o Sistema de Incentivo aos Serviços Ambientais (Sisa), o Acre referenciou-se para outros governos nacionais e internacionais que buscam implementar uma política de redução das emissões de carbono.

Para a diretora-presidente do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Magaly Medeiros, o Acre celebra neste Dia Mundial da Floresta o resultado do trabalho integrado com as populações tradicionais – extrativistas, agricultores e indígenas.

 

“Essa união tem garantido a sobrevivência da nossa floresta. Tanto que, o Acre hoje, faz parte das soluções mundiais para frear o aquecimento global”

Magaly Medeiros
Diretora-presidente do IMC
A política acreana de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com Benefícios Socioambientais (REDD+), torna o estado o primeiro governo subnacional a receber compensação por resultados na redução de emissões de carbono.
 
 

Floresta produtiva

No estado em que o Dia Mundial da Floresta é celebrado com 87% de cobertura florestal, as atividades econômicas são pautadas no respeito às questões ambientais, sociais e climáticas.

O fortalecimento da cadeia extrativista, incentivo à produção, por parte do governo, da castanha, látex, madeira, óleos vegetais e demais produtos madeireiros (manejo madeireiro comunitário sustentável e de grande escala) e não madeireiros resultou em uma política crescente de desenvolvimento produtivo sustentável.

“Chegamos a este dia com uma floresta habitada, produtiva e preservada. Muitos são os projetos voltados para o uso racional dos nossos produtos naturais que freiam o desmatamento e dão dignidade aos moradores das nossas florestas”

Edegard de Deus
Secretário de Meio Ambiente

A piscicultura é outra aposta da gestão de Tião Viana que, ao investir na industrialização do pescado, ampliou o mercado consumidor. O Programa Florestas Plantadas, promovido nas regiões do Alto Acre e Purus, que organiza a cadeia produtiva da borracha em pelos menos 50 anos, incentiva o reflorestamento de áreas abertas, bem como o Programa Estadual de Fruticultura que assegura mudas de frutas e sistemas de irrigações para que os produtores recuperem áreas degradas.

Na cadeia da proteína animal, o Acre agrega ainda a experiência exitosa da Dom Porquito, entre outras iniciativas. O frigorífico de suínos considerado pela Associação Brasileira de Suínos o mais moderno em tecnologia do Brasil, além de promover a ascensão econômica de pequenos, médios e grandes produtores.

Cultura e identidade

No Acre, a floresta reúne saberes tradicionais respaldados por políticas públicas. Os índios ocupam mais de 14% do território acreano e são reconhecidos por sua cultura e identidade. O mesmo ocorre com os extrativistas, que possuem uma história de luta e resistência, em prol da preservação da floresta.

A riqueza histórico-cultural e ambiental das florestas acreanas têm impulsionado o ecoturismo na região. Anualmente, mais de 10 festivais são promovidos em diferentes Terras Indígenas. As festividades reúnem turistas do mundo inteiro.

A floresta também atrai amantes do meio ambiente que, em busca de aventura, desbravam trilhas e geram economia nas comunidades rurais. O turismo de base comunitária é uma das apostas da gestão estadual. “O turismo de base comunitária, principalmente numa região como a floresta amazônica, possibilita a preservação do meio ambiente, pois o turista que investe nessas experiências busca deslumbrar a biodiversidade e a história dessas localidades”, frisou Rachel Moreira, secretária de Estado de Turismo e Lazer.

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